Eu sou a voz no seu cérebro que te diz pra arriscar, eu sou a esperança que bate quando o telefone toca e você corre pra atender, eu sou aquela música, aquele cheiro. Eu sou a dor que te invade nas madrugadas solitárias e intermináveis, eu sou todos os questionamentos do mundo. Eu sou eu, e ao mesmo tempo sou você. Eu sou aquela lágrima que você pisca repetidamente para não derramar, eu sou aquele nó na garganta e, ainda, sou o nada que prende seu olhar por tanto tempo, enquanto sua mente vaga para longe e pensa em tudo. Eu também sou aquele desespero que acelera seu coração e te deixa sem saída, quando você não agüenta mais de saudade. Sou o peso que cansa seus olhos, sou o vento frio que te faz sentir sozinho. Aquela parte tão escondida no seu interior, que você tenta ignorar todo e cada dia, sofregamente… É exatamente aí onde eu existo. E toda aquela coragem que você sente quando está longe, mas quando me olha nos olhos se esvai? Estou nisso também. Eu estou em tudo. Em cada arrepio, em cada desvio de olhar, em cada suspiro, cada pensamento de medo que te faz desistir de mim. Até nas pessoas que você vê na rua, achando que sou eu, estão os meus rastros. E, se tudo isso sou eu, o mesmo efeito que eu causo em você, afeta a mim. Nós somos intrínsecos e você é a minha esperança.
Eu sou a sua fraqueza…
Intrínsecos; por Marvin Rodrigues

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